Por: Hugo Vieira

No mês de março, a cidade de Parelhas, no interior do Rio Grande do Norte, pode atingir temperaturas acima de 35 graus. No dia 29 daquele mês, o senador Styvenson Valentim decidiu elevar a temperatura ainda mais e, pior, causou um incêndio na corporação à qual pertence: a Polícia Militar.
Durante um evento, o senador afirmou que oficiais da PM “não fazem nada”. A fala logo gerou repercussão e provocou revolta dentro dos quartéis. Justamente o capitão eleito em 2018 com a farda da corporação agora é persona non grata entre oficiais e praças da Polícia Militar.
Mas essa não foi a única declaração ou atitude do senador que gerou desgaste para a sua campanha. Styvenson decidiu indicar a própria irmã, Anne Kelly Valentim, para ser sua suplente, levantando o debate sobre nepotismo e pondo em xeque o seu discurso de combate às “oligarquias” da política potiguar.
Quando eleito, em 2018, Styvenson exigia até exame toxicológico de quem trabalhasse em seu gabinete, defendendo o combate à corrupção, a redução de privilégios e a transparência. Mas o tempo é o senhor da razão: de lá para cá, o senador acumulou incoerências entre o discurso e a prática.
A mais recente está relacionada a gastos expressivos com publicidade: cerca de 76% da cota parlamentar tem sido destinada à divulgação das atividades do senador. De acordo com apuração do jornalista Habyner Lima, R$ 639.160,00 teriam sido repassados a uma empresa sem portfólio e sem presença digital que corrobore o recebimento de valores tão altos por serviços de mídia.
Após a denúncia viralizar nas redes sociais, o senador bloqueou o jornalista e, durante uma live, xingou o profissional, sem apresentar detalhes sobre o contrato.
A dois meses da eleição, Styvenson Valentim enfrenta seu pior momento: uma espiral negativa que se transformou em uma espécie de “karma”, algo que pode custar o seu mandato.


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