Por: Habyner Lima

A atuação da rádio 96 FM, uma das emissoras mais ouvidas do Rio Grande do Norte, tem sido alvo de questionamentos sobre a relação entre jornalismo, poder político e o uso de uma concessão pública. A emissora pertence ao empresário Ênio Ricardo Sinedino, que mantém sociedade empresarial com o deputado federal Paulinho Freire, um dos principais nomes da política potiguar.
Verbas públicas e comunicadores ligados à emissora
Dados dos portais de transparência mostram que, entre 2023 e 2025, milhões de reais foram pagos pela Prefeitura de Natal à 96 FM e a comunicadores ligados à emissora, como Gustavo Negreiros e Bruno Giovanni. As informações reacendem o debate sobre o uso de recursos públicos em veículos com vínculos políticos.
Exposição desigual nas plataformas digitais
No ambiente digital, a diferença de espaço concedido a agentes políticos também chama atenção. Apenas em 2025, o senador Rogério Marinho apareceu em quase 90 vídeos nos canais ligados à 96 FM no YouTube, enquanto a senadora Zenaide Maia teve 22 aparições — uma diferença de quase 300% na exposição.
Entrevistas sem contraditório
Participações de Rogério Marinho na programação da emissora têm sido criticadas pela ausência de questionamentos mais duros e de contrapontos, o que levanta dúvidas sobre a independência editorial e o compromisso com o jornalismo.
Ligação direta com gabinete de Rogério Marinho
Outro ponto que gera questionamentos é o fato de Danilo Sá, integrante da equipe da rádio, constar como funcionário comissionado no gabinete de Rogério Marinho, conforme dados da transparência do Senado Federal.
Condenação na Justiça Eleitoral
A 96 FM foi condenada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte ao pagamento de multa de R$ 20 mil por tratamento desigual entre candidatos à Prefeitura de Natal. Segundo a decisão, houve 2.500% mais críticas direcionadas à deputada Natália Bonavides do que a Paulinho Freire durante o período eleitoral.


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