Por: Hugo Vieira

No último mês de dezembro, a delegacia de narcóticos de Natal não parou. O vaivém de investigadores na DP foi intenso e nem mesmo o clima natalino interrompeu os trabalhos. Os agentes estavam concentrados na prisão de um homem conhecido como o “Barão”.
Na liderança da investigação estava o competente delegado Cidorgeton Pinheiro, responsável por desmantelar diversas organizações criminosas no estado.
O “Barão” já estava sendo monitorado dia e noite com o auxílio de tecnologia. Os investigadores da DENARC também contaram com uma mão amiga, a Receita Federal, pois tudo indicava que o investigado escondia drogas em um galpão localizado no município de Parnamirim.
A Receita Federal monitorou uma transação do “Barão” e era o momento de tudo ou nada, a oportunidade de pegar o suspeito com a mão na massa. A DENARC foi informada e Cidorgeton, acompanhado de sua equipe, seguiu até o galpão.
No local, as suspeitas de que mármore era utilizado para ocultar cocaína se confirmaram. Era o fim da linha para o “Barão”. Ao todo, 1,2 tonelada de cocaína foi apreendida, gerando um prejuízo de R$ 150 milhões ao crime organizado.
Dias após a apreensão, blogs começaram a noticiar a saída do delegado responsável pela ação da DENARC. As postagens deixaram suspeitas no ar sobre a real motivação do desligamento de Cidorgeton da especializada em narcóticos.
Contudo, alguns fatores foram cruciais para a saída do delegado, e nenhum deles foi político ou a mando da Secretaria de Segurança.
O primeiro fator crucial foi a falta de efetivo para a ação. A operação aconteceu no dia 27 de dezembro, quando os policiais do CORE, a elite da Polícia Civil do RN, estavam de recesso. Como muitos são de outros estados, o delegado teria pedido reforço da equipe sem sucesso pleno.
O segundo fator relevante envolve as ações integradas com a Receita Federal, que fazem parte da FICCO (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado). A operação que apreendeu mais de uma tonelada de cocaína deveria ser divulgada à imprensa em uma nota conjunta das forças de segurança que integram a FICCO.
Porém, os assessores de comunicação estavam de recesso ou com suas famílias naquele período. Uma ação de tamanha magnitude acabou sendo publicada inicialmente por páginas policiais. As emissoras de TV e os jornais, em seguida, buscaram a assessoria da Polícia Civil, que precisou agir com pressa para divulgar oficialmente a operação.
O terceiro e último fator é o ego entre policiais. Este ponto é considerado menos relevante, mas também entra na equação final. A Polícia Civil passa por um importante momento de reestruturação interna, com o objetivo de aprimorar o trabalho investigativo e modernizar a instituição.
Entretanto, mudanças em instituições públicas são complexas e precisam amadurecer com o tempo. O fato é que, com o ego elevado, ninguém vence nada, pois uma polícia unida será sempre o pior cenário para o crime.


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